- 29/12/2025
- Posted by: Sofia Guimarães
- Categories: Análise de dados, Automação RPA, IA & AutoML, Notícias
O ano de 2026 marca uma virada decisiva na forma como tecnologia, negócios e sociedade se conectam. A velocidade da inovação deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser uma condição para a sustentabilidade das organizações. Inteligência artificial em escala, ambientes hiperconectados, novos riscos digitais e pressões regulatórias redefinem, ao mesmo tempo, oportunidades e responsabilidades.
De acordo com o relatório Top 10 Strategic Technology Trends for 2026, da Gartner, as tendências tecnológicas não devem mais ser analisadas isoladamente. Elas funcionam como vetores estratégicos, capazes de remodelar modelos operacionais, cadeias de valor e estruturas de decisão em todos os setores.
Um novo cenário tecnológico exige visão integrada
A Gartner organiza as tendências em três grandes eixos estratégicos, que ajudam líderes a entender onde investir, como escalar e o que proteger:
- Construir bases digitais robustas, preparadas para IA, dados e automação
- Orquestrar tecnologias diversas, combinando modelos, agentes e sistemas físicos
- Elevar governança, segurança e confiança, antecipando riscos em um mundo digital complexo
Essa visão reforça uma premissa essencial: inovação tecnológica só gera valor quando vem acompanhada de arquitetura, governança e estratégia clara.
1. Plataformas nativas em IA: menos esforço, mais impacto
O desenvolvimento de software passa por uma transformação estrutural. Plataformas nativas em IA permitem criar aplicações a partir de prompts, agentes e automações inteligentes, reduzindo drasticamente o esforço humano necessário.
Segundo a Gartner, 80% das organizações irão migrar de grandes equipes de engenharia para times menores, potencializados por IA até 2030, enquanto 40% dos portfólios de aplicações corporativas já incluirão soluções criadas nessas plataformas. O impacto é direto: mais velocidade, menor custo e maior capacidade de inovação.
2. Supercomputação para IA: quando infraestrutura vira estratégia
À medida que os modelos de IA se tornam maiores e mais sofisticados, a infraestrutura tradicional deixa de ser suficiente. A Gartner projeta que 40% das empresas adotarão arquiteturas híbridas de computação até 2028, combinando CPUs, GPUs, aceleradores especializados e até computação quântica.
Nesse contexto, infraestrutura deixa de ser apenas um tema técnico e passa a ser uma decisão estratégica, influenciando competitividade, sustentabilidade e escalabilidade dos negócios.
3. Computação confidencial: proteção de dados em tempo real
Com o avanço da IA e o endurecimento das leis de privacidade, proteger dados apenas “em repouso” ou “em trânsito” já não é suficiente. A computação confidencial surge como resposta a esse desafio, garantindo segurança mesmo durante o processamento das informações.
A Gartner estima que 75% do processamento em infraestruturas não confiáveis será protegido por computação confidencial até 2029, viabilizando o uso seguro de nuvem e IA em cenários altamente regulados.
4. Sistemas multiagentes: automação em nível avançado
A automação entra em uma nova fase com os sistemas multiagentes, nos quais múltiplos agentes especializados colaboram para executar fluxos complexos. O interesse do mercado é evidente: houve um crescimento de 1.445% nas consultas sobre o tema, segundo a Gartner.
Até 2027, 70% desses sistemas utilizarão agentes altamente especializados, e 60% serão interoperáveis entre diferentes fornecedores, abrindo espaço para ecossistemas inteligentes e flexíveis.
5. Modelos de linguagem específicos por domínio: menos erro, mais valor
A busca por resultados mensuráveis impulsiona a adoção de modelos de IA treinados para contextos específicos. Até 2028, 30% dos modelos de IA generativa corporativos serão específicos por domínio, como finanças, saúde, indústria ou RH.
Esses modelos oferecem maior precisão, melhor compliance e menor custo operacional, especialmente em processos críticos e regulados.
6. IA física: quando a inteligência chega ao mundo real
A inteligência artificial deixa de atuar apenas no digital e passa a operar diretamente em ambientes físicos. Robôs, drones, veículos autônomos e sistemas industriais inteligentes se tornam parte da estratégia operacional.
A Gartner prevê que 80% dos armazéns utilizarão robótica ou automação até 2028, evidenciando o avanço da IA em logística, manufatura e operações críticas.
7. Cibersegurança preemptiva: agir antes do ataque
O crescimento exponencial das ameaças digitais torna o modelo reativo obsoleto. A cibersegurança preemptiva utiliza IA para antecipar, enganar e neutralizar ataques antes que eles ocorram.
Até 2030, 50% dos investimentos em software de segurança serão direcionados a soluções preemptivas, enquanto o número de vulnerabilidades documentadas deve ultrapassar 1 milhão por ano.
8. Proveniência digital: confiança em um mundo de conteúdo sintético
Com o avanço de deepfakes, código de terceiros e conteúdos gerados por IA, garantir a origem e a integridade das informações torna-se essencial. Regulamentações como o EU AI Act já exigem rastreabilidade e marcação de conteúdo.
A proveniência digital surge como pilar de confiança, protegendo reputação, propriedade intelectual e conformidade regulatória.
9. Plataformas de segurança para IA: proteger decisões automatizadas
A segurança precisa evoluir junto com a IA. Até 2028, mais de 50% das empresas adotarão plataformas específicas para proteger aplicações e serviços baseados em IA, enquanto 80% das transações não autorizadas terão origem em falhas internas de governança.
Isso reforça que segurança não é apenas tecnologia, mas também processo, cultura e gestão.
10. Geopatriação: soberania digital ganha protagonismo
Riscos geopolíticos e exigências regulatórias levam organizações a repensar sua dependência de nuvens globais. A Gartner projeta que 75% das empresas irão relocalizar cargas críticas até 2030, buscando equilíbrio entre agilidade, soberania e resiliência.
Conclusão: tendências não geram valor sozinhas — estratégia sim
As tendências tecnológicas para 2026 deixam um recado claro: não basta adotar tecnologia, é preciso integrá-la à estratégia do negócio. Arquitetura, governança, segurança e visão de longo prazo tornam-se tão importantes quanto inovação.
É nesse cenário que a Kie-tec se posiciona como parceira estratégica, apoiando organizações a interpretar essas tendências, transformá-las em decisões assertivas e convertê-las em vantagem competitiva real. Mais do que acompanhar o futuro, o desafio agora é construí-lo com inteligência, segurança e propósito.