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Big Data e a barreira da ética

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Há alguns anos atrás, quando o conhecimento científico ampliou a possibilidade de manipulação genética, incluindo células tronco, houve um intenso debate envolvendo a questão ética e moral sobre os desdobramentos que tais avanços poderiam gerar na sociedade. Várias imposições sobre métodos e algumas barreiras sobre aplicabilidade foram tomadas, de tal forma que os avanços nessa área podem ocorrer, mas dentro de certos padrões de conduta.

E um debate análogo está se desenvolvendo sobre a utilização do Big Data. Isso decorre do fato de que com três informações básicas, como o código de endereço postal, data de nascimento e o gênero, aproximadamente 90% das pessoas pode ser precisamente identificada. E convenhamos, essas informações são simples e de livre acesso.

A questão ética do uso dos dados aflora quando são utilizadas variáveis ambientais para prever o comportamento individual das pessoas, como o bairro onde ela reside, por exemplo. Um morador em um bairro de periferia pode ser “rotulado” de maneira bem diferente de alguém que resida num bairro central. Esse tipo de generalização pode ter implicações severas como, por exemplo, no momento de conceder crédito ou no valor para o prêmio de um seguro, gerando prejuízos significativos a quem tiver uma rotulação não condizente com sua realidade.

A quantidade de dados que o Big Data está gerando necessita de um debate ético mais amplo sobre seus alcances, suas funcionalidades e seu uso, de tal maneira que o direito fundamental das pessoas seja assegurado, privilegiando a liberdade e a privacidade.

Escrito por

Rodolfo Coelho Prates é Doutor em Economia pela Universidade de São Paulo. É professor visitante do Middlebury College - EUA, especialista em Big Data pela Universidade da Califórnia (San Diego) e atua na área de modelos matemáticos e estatísticos.

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